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Demanda de carteiros pode chegar a mil entregas

Fonte:  Diário do Pará   –   26/06/2011 Entregar até mil correspondências em um único dia. Parece improvável, não? Pois essa é a rotina de alguns carteiros que trabalham em Belém. Diante de diversas dificuldades, muitas vezes a missão se torna impossível. “O clima aqui dificulta muito. A temperatura é alta, até cachorro atrapalha”, relata um carteiro […]

27/06/2011

Fonte:  Diário do Pará   –   26/06/2011

Entregar até mil correspondências em um único dia. Parece improvável, não? Pois essa é a rotina de alguns carteiros que trabalham em Belém. Diante de diversas dificuldades, muitas vezes a missão se torna impossível. “O clima aqui dificulta muito. A temperatura é alta, até cachorro atrapalha”, relata um carteiro que está há 25 anos na profissão, mas não quis se identificar. “O pior é que, se não conseguir entregar tudo, vai acumulando trabalho”, completa outro carteiro, que também pediu para não ser identificado.

Para o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Estado do Pará (Sincort/Pa), a sobrecarga no volume de entregas está ligada a um número reduzido de profissionais. “Na maioria dos setores, a quantidade de correspondência é muito grande e o número de carteiros insuficiente”, afirma Israel Rodrigues, diretor financeiro do Sincort/Pa.

Para se ter uma ideia do volume de correspondências entregues, somente no setor do bairro do Telégrafo são aproximadamente 46 mil por dia. “Neste setor temos 40 carteiros, o que dá uma média de mil cartas por carteiro ao dia”, contabiliza Rodrigues. Outro problema relatado pelos profissionais é o tempo reduzido para fazer as entregas. “A carga horária é de 8 horas por dia, mas na rua mesmo o carteiro passa de 2 a 3 horas porque antes precisa fazer o trabalho interno de tratar as correspondências. Só depois sai para fazer as entregas”.

No retorno para os centros de distribuição, o carteiro precisa “prestar contas” do volume de correspondências entregues. “A cobrança é para que o carteiro zere o distrito onde foi entregar, mas, por mais que ele se esforce, não há condições de entregar tudo”, diz o diretor.

SEDEX

Outra reclamação por parte do sindicato se refere ao Sedex – serviço expresso de entrega de documentos e mercadorias – que acarretaria até prejuízos financeiros para os funcionários. “Se o carteiro não consegue fazer a entrega no horário é penalizado. Se o cliente pedir o dinheiro de volta ele é indenizado, mas depois isso é descontado do carteiro”, denuncia Rodrigues.

Euclides Alves, diretor de formação sindical do Sincort, trabalha no setor de entrega do Sedex. Para ele, esse serviço representa uma situação crítica. “O maior gargalo dos Correios é o Sedex. Houve um aumento muito grande na demanda para entregas, temos um número considerável por dia, de 100 a 150 entregas. Deveríamos terminar às 19h, mas muitas vezes é preciso passar do horário”.

Quem recebe a correspondência todos os dias na porta de casa muitas vezes nem imagina as dificuldades que o carteiro encontra pelo caminho. Os relatos são os mais diversos: cachorros que impedem as entregas até os assaltos que traumatizam os profissionais.

“Tem carteiro que já foi mordido duas vezes por cachorro em apenas um mês. Tem gente que já foi assaltado três vezes só em um bairro, levam até a bolsa”, conta Bruno. O carteiro relata que um colega de profissão já teve até mesmo o uniforme roubado pelos ladrões. “Levaram até a roupa e deixaram o rapaz lá. O que os bandidos mais visam são os cartões de crédito”.

ESTRATÉGIA

Luiz (nome fictício), também carteiro, tenta otimizar o tempo todos os dias para dar conta do serviço. Como sua área de trabalho é próxima a um centro de distribuição, sai logo pela manhã para adiantar as entregas: são cerca de 600 cartas por dia. “Quando não tenho nenhum imprevisto não sobra nada, mas alguns setores têm muita dificuldade, subidas, descidas, cachorros, assaltos, aí não dá para entregar”, diz. Há bairros em que os carteiros também acabam atrasando as entregas. “Nos setores que são longe dos centros às vezes atrasa. Aí a gente ouve as reclamações das pessoas”.

Para ele, uma série de fatores costuma influenciar nas dificuldades diárias. “Você tem uma somatória do sol, chuva, da quantidade de cartas e do peso da bolsa. Ela (bolsa) tem capacidade para mais de 10 quilos, mas a gente traz mais do que isso”. Segundo Rodrigues, diretor do Sincort, cada carteiro caminha uma média de 4 km por dia. No final da jornada, o peso da bolsa costuma ser uma das maiores dificuldades. “Se você começa o dia com a bolsa pesando 5kg, em uma hora de caminhada ela já parece pesar 15kg”.

A reportagem tentou contato com algum representante dos Correios para tratar do assunto, mas a assessoria informou que ninguém poderia conversar com o DIÁRIO.

Quatro quilômetros e a média que cada carteiro caminha por dia, segundo o Sincort/PA.

Dez quilos é a capacidade média das bolsas onde os carteiros carrregam as correspondências.