FECOMERCIO

Notícias da Fecomércio

Plano Diretor de São Paulo prevê pequenos parques pela cidade

Proposta é que comunidade e empresas participem do processo de disseminação dos pocket parks na capital paulista

19/08/2014

Os espaços têm a intenção de serem vistos como parques da vizinhança, de apropriação coletiva e mantidos em parceria com a comunidade.
(Arte/Tutu)

sindifranco-plano-diretor

Os próximos anos prometem para a capital paulista. Pelo menos no que diz respeito a espaços de lazer e áreas verdes pela cidade. Isso porque diversas ações estão sendo realizadas para incentivar a melhoria do tecido urbano, como o aval para implementação de parklets, que são extensões da calçada, mas com recursos de lazer para o pedestre.

Mais recentemente, com a aprovação do Plano Diretor Estratégico, outra iniciativa caminha na direção de melhorar a qualidade de vida do paulistano, conforme o item que prevê o estímulo a novos pequenos parques pela cidade. Chamados pocket parks, os espaços têm a intenção de serem vistos como parques da vizinhança, de apropriação coletiva e mantidos em parceria com a comunidade.

Nos Estados Unidos, por exemplo, esse tipo de projeto é desenvolvido geralmente em áreas abandonadas ou com potencial de violência. A iniciativa, por lá, é vista como ferramenta de revitalização e preservação dos espaços.

Os moldes ainda não estão definidos em São Paulo, mas o diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, Valter Caldana, acredita ser um importante mecanismo de melhoria da cidade. “A valorização dos espaços públicos de modo geral é uma ferramenta extremamente eficiente contra a violência urbana e isso está mais do que comprovado em ações de várias partes do mundo”, indica.

De acordo com Caldana, os pocket parks não são o suficiente para resolver o problema da violência, mas são ingredientes de um sistema, que inclui a valorização dos espaços públicos.

Dos parques da vizinhança são esperados benefícios como empoderamento local, opção de lazer e convivência, desenvolvimento cultural, melhoria ambiental e de qualidade de vida da população ao redor, além de impactar, também, no movimento do comércio no entorno dos espaços verdes.

Para o professor do Mackenzie, esse processo de espalhar os pequenos parques pela cidade depende, principalmente, da participação corporativa. “A iniciativa privada precisa entender que qualidade de vida é responsabilidade nossa. Não é do governo. O que é responsabilidade do governo são questões básicas, como políticas públicas, educação, segurança e infraestrutura. A qualidade de vida vai além de questões básicas e essa sim depende da gente”, assinala.

O professor sugere que ações de responsabilidade social, como a implementação dos parques da vizinhança na cidade, passem a constar no plano financeiro das empresas. “A iniciativa privada pode colocar na sua planilha algumas ações de cidadania e de gentileza urbana. Cada vez mais a sociedade civil e a iniciativa privada precisam entender e incorporar o fato de que questões de valorização do espaço público são de nossa responsabilidade e nos trazem retorno”, afirma.

Os detalhes sobre áreas aptas a implantar pocket parks e as normas devem ser divulgadas com o decorrer de execução do Plano Diretor em São Paulo. Ainda assim, o professor Valter Caldana já chama a atenção para as regiões afastadas do centro da cidade. “A valorização do espaço público é mais urgente nas regiões periféricas, do ponto de vista da segurança. Essa é, inclusive, uma boa estratégia para o aumento de vendas do comércio, mas não é usada”.

 

Fonte: http://www.fecomercio.com.br